25/11/2009
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A ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) lança durante o 27º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que começa hoje em São Paulo, uma campanha de prevenção ao suicídio. Serão distribuídos material informativo para o público leigo e um manual de informações para a imprensa e será veiculado em rede nacional um vídeo de 30 segundos sobre o problema.Quem quer se matar dá sinais, diz jornalista.Para a ABP, o suicídio é uma questão de saúde pública. "É um problema grave, que acaba sendo mascarado. Muitas tentativas [de se matar] entram como acidentes domésticos, de trânsito. Campanhas de conscientização têm impacto na prevenção dessas mortes", afirma Luiz Alberto Hetem, vice-presidente da associação.O número de casos de suicídio cresceu 60% nos últimos 45 anos, de acordo com a OMS. A organização estima que, de 2002 a 2020, o aumento será de 74%, chegando a um suicídio a cada 20 segundos --hoje, a taxa é de um a cada 40 segundos.No Brasil, estimativas sugerem que ocorram 24 suicídios por dia, mas o índice deve ser 20% maior. Entre os jovens, a taxa multiplicou-se por dez de 1980 a 2000: de 0,4 para 4.O número de tentativas é de dez a 20 vezes mais alto do que o de mortes. "Nenhum país tem registro de tentativas, mas os cálculos vão nessa proporção. Podemos extrapolá-los para o Brasil", afirma o psiquiatra Neury Botega, professor de psiquiatria da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e um dos principais estudiosos do tema no país.Um estudo feito pela Unicamp com uma amostra aleatória de 515 habitantes de Campinas (interior de SP) mostrou que 17% deles já tinham pensado seriamente em acabar com a própria vida e 3% haviam efetivamente tentado o suicídio.As taxas são três vezes mais altas entre os homens, segundo Botega, mas as mulheres tentam mais tirar a própria vida. "Os homens são mais agressivos e impulsivos do que as mulheres e, quando tentam suicídio, o fazem de forma mais agressiva", analisa Botega.O Ministério da Saúde criou em 2006 a Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio, para reduzir o número de mortes por suicídio. Entre as ações, o ministério diz que publicará um manual de prevenção do suicídio para profissionais da atenção básica de saúde.SinaisA campanha pretende focar na prevenção do problema, com o argumento de que alguns transtornos mentais frequentemente estão envolvidos com o suicídio. Um trabalho da OMS com mais de 16 mil pessoas constatou que 90% dos casos puderam ser relacionados com problemas como depressão, ansiedade, uso de álcool ou drogas e esquizofrenia."Não se trata de "psiquiatrizar" o suicídio, mas sim de dizer que um dos fatores pode ser uma doença mental não detectada", acrescenta Botega.Os especialistas afirmam que quem está pensando em se matar pode emitir alguns sinais. O principal deles é uma tentativa de suicídio frustrada. "Há casos de pacientes que fizeram cortes superficiais ou tomaram pouco remédio, e alguns banalizam, achando que a pessoa não vai se matar. Mas ela dá vários sinais de que está mal, sofrendo, com depressão profunda", exemplifica Luiz Alberto Hetem.Pessoas que tentaram tirar a própria vida devem passar por uma avaliação psiquiátrica e, se for o caso, iniciar tratamento.Análises póstumas do histórico de um suicida mostram ainda que a maioria apresenta um alto grau de desesperança (quando não acredita que existe a possibilidade de melhora de alguma condição). Os níveis de ansiedade também são mais altos nesses pacientes --a maior tendência em agir impulsivamente aumenta as chances de cometer suicídio.
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